
Confesso que ultimamente tenho tido uma espécie de letargia intelectual para escrever qualquer coisa que faça sentido.
Será do tempo?
Estarei triste ou deprimido?
Não sei.
O que sei é que, é-me difícil iniciar qualquer texto que relate o que sinto ou penso.
Não que se tenham acabado os assuntos, não que não haja substância potencial para dar corpo a meia dúzia de linhas, mas porque simplesmente não me tem apetecido.
Assuntos nunca vão faltar nesta nossa "república à beira-mar encalhada".
Por exemplo:
Se o Presidente da República foi visitar as zonas mais deprimidas deste país, porque é que nas imagens o pessoal dançava e cantava?
Ou se era mesmo para visitar as zonas a necessitarem de tratamento psiquiátrico e químico para a depressão ou tristeza, porque não ficou oito dias fechado, com os deputados, na Assembleia da República?
Ou ainda porque não decidiu o Senhor Presidente passar oito dias em todas as cidades do país?
Será só nos Vales do Norte que o povo anda enfadado com esta merda de vida?
Acho que não.
Triste é ter um presidente que julga que com uma visita, os discursos de circunstância e o corta fitas do costume, resolve qualquer problema, escarrapachando a tristeza do povo que o recebe em festa, mas que fica ao largo “cordialmente protegido” pelas grades de ferro, do outro lado da rua.
Triste é termos de assistir a um espectáculo presidencial com sorrisos de conjuntura e as mãos cheias de nada, como quem diz: “Rapazes vamos mostrar ao mundo como esta gente é mesmo triste e deprimida!”
Triste é ler no jornal que Margarida Correia da Silva, uma mulher de 95 anos, morreu à fome no casebre onde vivia em pleno centro da cidade do Porto.
A mesma cidade onde se falou toda a semana em destruir e construir habitações.
Isto sim, Senhor Presidente!
Isto é que é a tristeza do país deprimido a que V. Excia. preside.
4 comentários:
Bem "esgalhada"essa análise à visita do Presidente ( creio que se referia ao Vale do Ave..)
Entretanto deixou um comentário muito pertinente no meu blog no post " E os abutres foram com o Pai Natal ao circo".
Já lhe repondi e coloco uma questão. Se quiser aceitar o desafio...
Confesso que estou a ficar fã de ler textos tão bem escritos e com críticas tão oportunas. Não só neste blog, como noutros que, através deste, começo agora a conhecer.
Para todos aqueles que, neste país deprimido, acham uma tristeza que a geração mais jovem não saiba escrever sem "smileys", abreviaturas, "ús" em vez de "ós", "kápas", em vez de "quês", "xis" em vez de "ésses" e muito menos ainda, saiba redigir;
Para todos aqueles que, neste país deprimido, acham ridículo que livros como o de Carolina Salgado ou de Zézé Camarinha sejam editados, e ainda por cima, cheguem aos tops de vendas, é um prazer reconhecer que há ainda quem "junte umas letritas" em bom português, e as "arrume numa prateleira", onde, sem polémicas, escândalos ou façanhas, as deixe assim: à mão de semear, pelo simples gozo de haver quem as leia...
Carlos obrigado e quanto ao desafio, pode sempre contar comigo.
Cecília, não me vou armar em "humildezinho", soube-me muito bem ler o comentário.
Mas tenho a noção que estes rabiscos são pequenos quando comparados com os textos dos blogs que, orgulhosamente, indico aqui como links.
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